Como se diz por aí, inclusive no blog de falcão, o capital é o problema. Enquanto o capitalismo imperialista malvado avança, miremo-nos no exemplo da China. Até mesmo nos anúncios de saúde, os chineses reconheceram que o dinheiro é a raiz de todos os males. Vejamos alguns anúncios de utilidade pública do reino do meio que ilustram esse zelo revolucionário.
Este primeiro, por exemplo, mostra uma cidadã consciente, obviamente comunista, avisando o oficial de saúde de algum problema. Talvez alguém que andou falando sobre livre mercado e liberdades individuais, ou outras idéias similarmente perigosas. Afinal, pra quê ter liberdade individual quando se tem boa saúde, boa educação e um líder que perpetuamente se preocupa com a explosão populacional -- veja-se o exemplo dos bem 100 milhões que morreram na China de Mao.
Este outro mostra uma cidadã similar divulgando, a toda voz, os ensinamentos de Mao para o campo, vacinando as crianças inocentes contra os males do capitalismo. Coisa parecida é mostrada neste terceiro cartaz. A sempre alerta e prestativa cidadã consciente chega no campo para cuidar da saúde dos companheiros camponeses; embora ela leve uma bolsa medicinal ao lado, provavelmente com remédios, ela empunha orgulhosamente o livro vermelho de Mao, solução para todos os problemas (inclusive os de saúde). Note-se na ilustração à direita, o pirralho claramente capitalista -- a semelhança com Nhonho, filho de um explorador capitalista burguês, é notável -- sugando a vida da menina camponesa e comunista, como é normal dos capitalistas exploradores e desumanizados. Depois disso, a menina cai doente, vítima dos males do imperialismo; mas, com a ajuda dos camaradas proletários, orientados pela cidadã consciente, a saúde dela é reestabelecida. Logo abaixo a menina, já recuperada, carrega consigo o livro vermelho, para se proteger do mesmo problema no futuro.
Dessa forma não é difícil ver por que alguns aqui esperam ansiosamente o tempo em que a China dominará o mundo, ao invés dos EUA.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
Final Fight 200%
And now for something completely different...
Final Fight é, obviamente, o clássico jogo de porrada da Capcom. Nele é preciso bater em inúmeros bandidos para resgatar a filha do prefeito, que por sinal é namorada de um dos heróis. Ora, um jogo não precisa ter história original para ser bom.
O fato é que tem uma versão muito boa do jogo para o Gameboy Advance. E, graças ao maravilhoso mundo dos emuladores, é possível joga-lo de uma forma totalmente nova. Eis como:
- Pegue o VisualBoy Advance. Vá por mim, é o melhor emulador para GBA.
- Agora é preciso jogar bastante. À medida em que você vai matando inimigos, opções secretas aparecem no menu. Depois de uns 2 mil inimigos mortos, vai aparecer uma opção "Rapid Punch", que significa que é só segurar o botão de soco para o personagem ficar dando socos repetidamente.
- No VisualBoy Advance, vá no menu Options, selecione Frame Skip, Throttle, 200%. Isso aumenta a velocidade de execução do jogo em duas vezes (duh!).
Jogar no dobro da velocidade tem seus próprios desafios e é bem diferente de simplesmente aumentar a dificuldade do jogo. Algumas técnicas são as mesmas do jogo em velocidade normal, mas outras coisas mudam. Por exemplo, alguns chefes que são bem fáceis na velocidade normal ficam difíceis em 200%. Outra coisa: usar as armas se torna praticamente impossível. Melhor ir no muque mesmo.
Cheguei na penúltima fase. Depois, se conseguir terminar, posso tentar jogar a 300%.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Anúncio de utilidade pública
Peço desculpas aos habitantes dos estados do sudeste que foram afetados pelas chuvas e enchentes desmedidas dos últimos dias. Elas podem ter sido conseqüência do hiato aqui no blog.
Não há como provar que essa foi a causa final, mas também não há como provar que não foi. Logo, é melhor ser cuidadoso.
Ainda bem que, postando hoje, o hiato passou só alguns dias além de uma semana.
Não há como provar que essa foi a causa final, mas também não há como provar que não foi. Logo, é melhor ser cuidadoso.
Ainda bem que, postando hoje, o hiato passou só alguns dias além de uma semana.
sábado, dezembro 30, 2006
Paradoxos, escolhas e a felicidade
Ter escolhas é bom, não? Mais opções significa, em geral, a liberdade de escolher entre várias possibilidades. E isso é bom. Ou não?
Acredito que ter escolhas é quase sempre considerada uma coisa boa. Eu sempre pensei assim. Mas parece que não é o caso. No livro The Paradox of Choice: Why More is Less (O Paradoxo da Escolha: Por que Mais é Menos), o psicólogo americano Barry Schwartz defende que a proliferação de escolhas, na verdade, traz mais angústia e ansiedade que sensação de liberdade. Mais, nesse caso, é menos. Acho que as pessoas estão descobrindo isso na prática.
E a última do livre-arbítrio, souberam? Parece que ele não existe. Então, de toda forma, quaisquer escolhas são apenas ilusórias, e ter muitas possibilidades pode causar angústia justamente porque, no fundo, nós não escolhemos nada. O cérebro e seus neurotransmissores funcionam como um relógio, e o mecanismo fica sobrecarregado com muitas opções.
Dessa forma, melhor então que não tenhamos escolha na véspera de ano novo. Porque não temos. Todo mundo tem que ser feliz. Se você não está numa festa bombando, e se divertindo como nunca na vida, há algo de errado com você. Mas já que você não tem escolha, pelo paradoxo da escolha, você deve ficar feliz, certo?
Enfim, só me resta desejar Feliz Ano Novo. Desejo supérfluo, aliás, já que vocês não têm escolha. Mas eu, que não tenho livre-arbítrio, desejo mesmo assim.
Acredito que ter escolhas é quase sempre considerada uma coisa boa. Eu sempre pensei assim. Mas parece que não é o caso. No livro The Paradox of Choice: Why More is Less (O Paradoxo da Escolha: Por que Mais é Menos), o psicólogo americano Barry Schwartz defende que a proliferação de escolhas, na verdade, traz mais angústia e ansiedade que sensação de liberdade. Mais, nesse caso, é menos. Acho que as pessoas estão descobrindo isso na prática.
E a última do livre-arbítrio, souberam? Parece que ele não existe. Então, de toda forma, quaisquer escolhas são apenas ilusórias, e ter muitas possibilidades pode causar angústia justamente porque, no fundo, nós não escolhemos nada. O cérebro e seus neurotransmissores funcionam como um relógio, e o mecanismo fica sobrecarregado com muitas opções.
Dessa forma, melhor então que não tenhamos escolha na véspera de ano novo. Porque não temos. Todo mundo tem que ser feliz. Se você não está numa festa bombando, e se divertindo como nunca na vida, há algo de errado com você. Mas já que você não tem escolha, pelo paradoxo da escolha, você deve ficar feliz, certo?
Enfim, só me resta desejar Feliz Ano Novo. Desejo supérfluo, aliás, já que vocês não têm escolha. Mas eu, que não tenho livre-arbítrio, desejo mesmo assim.
domingo, dezembro 24, 2006
Luzes
Fui abduzido ontem. Achei que a nave era alguma decoração de natal, e depois que percebi a verdade não tive muito tempo para escapar.
Nada de mais, nenhum contato imediato de enésimo grau, nada de sondas no meu corpo, chips ou operações estranhas. Queriam eles saber qual é a dessas festas periódicas aqui embaixo. Falei que uma tinha a ver com uma festa da religião dominante mas que na verdade tinha origem em festivais mais antigos ou coisa assim, e que a outra era para comemorar um ponto arbitrário no tempo. Eles não entenderam muito bem, o que provocou uma troca de notas e observações culturais dos dois lados. No final das contas eles continuam achando ridículo tudo isso, e que seres evoluídos devem festejar o dia em que o grande Flatjwokullo comeu uma srvwbnqn de proporções cósmicas e a flatulência resultante gerou as nuvens de matéria e nebulosas que mais tarde deram origem às galáxias, estrelas, sistemas solares e planetas, enfim, todo o universo conhecido.
Nesse momento sobressai o princípio diplomático que determina a necessidade de concordar com quem tenha acesso aos lasers, phasers, torpedos fóton ou sei lá qual eram as armas deles, e viva o grande Flatjwokullo!
PS: aqui um pequeno detalhe geek sobre o post. Olhem no final.
Nada de mais, nenhum contato imediato de enésimo grau, nada de sondas no meu corpo, chips ou operações estranhas. Queriam eles saber qual é a dessas festas periódicas aqui embaixo. Falei que uma tinha a ver com uma festa da religião dominante mas que na verdade tinha origem em festivais mais antigos ou coisa assim, e que a outra era para comemorar um ponto arbitrário no tempo. Eles não entenderam muito bem, o que provocou uma troca de notas e observações culturais dos dois lados. No final das contas eles continuam achando ridículo tudo isso, e que seres evoluídos devem festejar o dia em que o grande Flatjwokullo comeu uma srvwbnqn de proporções cósmicas e a flatulência resultante gerou as nuvens de matéria e nebulosas que mais tarde deram origem às galáxias, estrelas, sistemas solares e planetas, enfim, todo o universo conhecido.
Nesse momento sobressai o princípio diplomático que determina a necessidade de concordar com quem tenha acesso aos lasers, phasers, torpedos fóton ou sei lá qual eram as armas deles, e viva o grande Flatjwokullo!
PS: aqui um pequeno detalhe geek sobre o post. Olhem no final.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Pequena nota metodológica
Não acredito que alguém tenha prestado atenção nisso, mas há alguns dias coloquei uma coisa no blog que planejava há um tempo. Na coluna aí ao lado tem uma seção de links "transitórios", coisas legais que eu vi por aí e vou adicionando, enquanto retiro outros de vez em quando. E as atualizações nos links provavelmente vão ocorrer mesmo quando não houver novos posts, então quem não tiver nada o que fazer e chegar aqui pode conferir mais endereços para jogar tempo fora.
Mais recente: Sexual Consent, curta de Jason Reitman, o mesmo diretor de Obrigado por Fumar.
Mais recente: Sexual Consent, curta de Jason Reitman, o mesmo diretor de Obrigado por Fumar.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
História com moral
Quando começa a passar mais de uma semana sem posts, eu sinto a necessidade de vir escrever alguma coisa, qualquer coisa, para não deixar de atualizar. Sim, é estranho. Como se algo muito maior do que um mero blog perdido em um recanto obscuro da internet dependesse disso. Tenho refletido sobre o assunto, mas nenhuma resposta se apresentou até então. Quem sabe depois.
Mas hoje então convido-os para um momento de reflexão, um pouco de filosofia, se me permitem. As grandes perguntas são sempre as mesmas. O que queremos, o que buscamos nesta existência? Ou seja, qual o sentido disso tudo?
Outro dia, estava meio sentado meio deitado no sofá, lendo O Ser e o Nada. De vez em quando olhava pela janela, de onde dava pra ver o teto de um prédio em frente. Neste teto se reúnem alguns pombos, que ficam lá olhando para alguma coisa à esquerda, no chão. De repente, saem todos um atrás do outro e mergulham na direção para onde olhavam. Devia ser comida, imagino. Depois de um tempo vendo isso, voltei ao livro, mas não demorei muito. Voltei a olhar os pombos. E isso se repetiu até que, não passados nem 30 minutos, acabei dormindo.
Abri os olhos e estava no chao, deitado ao lado do prédio dos pombos. E tudo parecia gigante perto de mim, como se eu tivesse encolhido, ou tudo tivesse crescido enormemente. Olhei para cima, para o teto do prédio, e os pombos estavam olhando pra mim. Alguma coisa não ia bem. Comecei a sentir a ansiedade tomando conta, os segundos folgavam a passar e eu podia ver cada movimento dos pombos em detalhes: um cisco, outro, as garras fechando na quina do teto para tomar apoio, o corpo se inclinando, em preparação para o mergulho... e então veio o primeiro. Logo depois, se seguiram outros, em uma formação de V. E não havia dúvidas, eles vinham em minha direção. O surto de adrenalina cuidou para que os momentos seguintes parecessem um filme; aliás, pensando agora, me lembrou algumas cenas desse King Kong novo. Consegui rolar para o lado e desviar do primeiro, levantei, esquivei-me de outro, pulei por cima de um que vinha mais baixo e se esborrachou no chão, no alto do pulo agarrei na pata de outro, que com o peso foi caindo, coloquei os pés no chão, dei impulso ao pombo que ainda agarrava e usei-o para bater em mais um, e por fim consegui enganar dois deles para esquivar no último momento e faze-los se chocarem um com o outro. Então corri, com todas as forças que nem imaginava ter.
Neste momento parei para pensar, e minha vida nunca tinha feito tanto sentido. Sim, eu estava vivo, e a questão que antes me assolava agora parecia irrelevante. Foi aí que eu me dei conta que o episódio tinha me ensinado algo: não tentar mais ler O Ser e o Nada. O livro é pesado, chato, dá sono e induz pesadelos.
Mas hoje então convido-os para um momento de reflexão, um pouco de filosofia, se me permitem. As grandes perguntas são sempre as mesmas. O que queremos, o que buscamos nesta existência? Ou seja, qual o sentido disso tudo?
Outro dia, estava meio sentado meio deitado no sofá, lendo O Ser e o Nada. De vez em quando olhava pela janela, de onde dava pra ver o teto de um prédio em frente. Neste teto se reúnem alguns pombos, que ficam lá olhando para alguma coisa à esquerda, no chão. De repente, saem todos um atrás do outro e mergulham na direção para onde olhavam. Devia ser comida, imagino. Depois de um tempo vendo isso, voltei ao livro, mas não demorei muito. Voltei a olhar os pombos. E isso se repetiu até que, não passados nem 30 minutos, acabei dormindo.
Abri os olhos e estava no chao, deitado ao lado do prédio dos pombos. E tudo parecia gigante perto de mim, como se eu tivesse encolhido, ou tudo tivesse crescido enormemente. Olhei para cima, para o teto do prédio, e os pombos estavam olhando pra mim. Alguma coisa não ia bem. Comecei a sentir a ansiedade tomando conta, os segundos folgavam a passar e eu podia ver cada movimento dos pombos em detalhes: um cisco, outro, as garras fechando na quina do teto para tomar apoio, o corpo se inclinando, em preparação para o mergulho... e então veio o primeiro. Logo depois, se seguiram outros, em uma formação de V. E não havia dúvidas, eles vinham em minha direção. O surto de adrenalina cuidou para que os momentos seguintes parecessem um filme; aliás, pensando agora, me lembrou algumas cenas desse King Kong novo. Consegui rolar para o lado e desviar do primeiro, levantei, esquivei-me de outro, pulei por cima de um que vinha mais baixo e se esborrachou no chão, no alto do pulo agarrei na pata de outro, que com o peso foi caindo, coloquei os pés no chão, dei impulso ao pombo que ainda agarrava e usei-o para bater em mais um, e por fim consegui enganar dois deles para esquivar no último momento e faze-los se chocarem um com o outro. Então corri, com todas as forças que nem imaginava ter.
Neste momento parei para pensar, e minha vida nunca tinha feito tanto sentido. Sim, eu estava vivo, e a questão que antes me assolava agora parecia irrelevante. Foi aí que eu me dei conta que o episódio tinha me ensinado algo: não tentar mais ler O Ser e o Nada. O livro é pesado, chato, dá sono e induz pesadelos.
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